Tutorial 2026-10-14 · 6 min

Exportar a lista de cabos e materiais em XLSX para compras

Do caderno de cabos a uma folha de cálculo pronta para comparar fornecedores, com quantidades por circuito, secção e revisão.

Autor: Equipa GorkyCAD

Porque é que a lista deve sair do modelo

Uma lista de compras escrita à mão começa correta e acaba desatualizada: alguém muda uma secção, acrescenta um circuito e a folha da encomenda passa a dizer outra coisa. O projeto, entretanto, já seguiu para a obra.

Quando a lista é gerada a partir do mesmo modelo dos unifilares, dos planos e dos quadros, cada linha tem origem: circuito, quadro de partida, destino, secção e comprimento. A encomenda deixa de ser uma opinião e passa a ser uma consequência do projeto.

O GorkyCAD Pro exporta essa informação em XLSX, formato que abre em qualquer folha de cálculo e que se pode ordenar, somar e comparar com propostas sem voltar a digitar. O que se compra deixa de andar à solta do que se desenhou.

Há um segundo motivo, menos óbvio: a lista é o documento que liga o projeto a quem não lê plantas. Compras, armazém e o fornecedor trabalham em linhas e colunas. Se essas linhas forem geradas do modelo, o projeto fala a língua deles sem ninguém ter de o traduzir à mão — e sem risco de a tradução sair diferente da segunda vez.

O que deve constar na lista

Antes de exportar convém saber o que se espera encontrar. Uma lista de cabos útil responde a três perguntas: que cabo, de que secção e para onde.

ColunaConteúdo
Quadro de origemDe que quadro parte a derivação
Destino / circuitoPonto, equipamento ou divisória servida
Secção e materialDimensão do condutor e tipo de ligação
ComprimentoExtensão medida no modelo, em metros
Quantidade totalSoma por secção, base da encomenda
NotasObservações de montagem, cores e reservas

As duas falhas mais frequentes são a unidade e o sentido da medição. Se o comprimento sair sem a reserva de manobra, a encomenda fica curta na obra; se sair em milímetros, ninguém lê a coluna. Defina uma vez como se mede e mantenha a mesma regra em todas as revisões.

Uma boa prova de leitura é abrir a lista e escolher uma linha ao acaso: em três segundos deve ser possível dizer de que quadro sai, onde chega e de que secção é. Se for preciso voltar ao desenho para perceber, a coluna está mal escolhida — e a pessoa de compras vai fazer a mesma pergunta por telefone.

Passo 1: fechar as quantidades no modelo

A lista não corrige o projeto, reflete-o. Tudo o que se decide na folha de cálculo já teria de estar decidido no modelo antes da exportação.

  1. Termine todos os circuitos: sem derivações por ligar e sem cargas sem circuito.
  2. Confirme as secções revistas, porque a lista reflete o que está no modelo, não o que se pretendia ontem.
  3. Veja os comprimentos das derivações mais longas, sobretudo nas ligações a equipamentos.
  4. Feche os quadros: módulos, diferenciais e acessórios entram na especificação que acompanha a lista.
  5. Feche uma revisão e anote a data, para que a lista seja sempre identificável com a versão do projeto.

Antes de exportar

Gere o caderno de cabos e a especificação a partir do modelo e compare com a lista de materiais. Se as duas não batem certo, é o modelo que está mal — corrija lá, e não na folha de compras.

Vale a pena incluir nesta passagem uma leitura às exceções: condutas especiais, derivações fora do padrão, materiais com prazo de entrega longo. É aí que uma lista apressada costuma falhar, porque são as linhas que ninguém lembra de acrescentar e as primeiras que atrasam a montagem.

Passo 2: gerar o ficheiro XLSX

A exportação faz-se no browser, a partir do projeto aberto: escolhe-se a tabela, confirma-se o âmbito e o ficheiro fica pronto. Não é preciso copiar e colar de desenho para desenho, nem manter uma versão paralela em folha de cálculo.

  1. Escolha as tabelas que interessam a compras: caderno de cabos, especificação e quantidades.
  2. Confirme a revisão e o nome do ficheiro, com o código do projeto e a data.
  3. Abra o XLSX e verifique as primeiras linhas: cabeçalhos, unidades e contagem de registos.
  4. Guarde o ficheiro junto da revisão do projeto e não na área de trabalho de ninguém.

Uma contagem de registos leva dez segundos e deteta logo uma exportação incompleta: se o número de linhas não corresponde aos circuitos do quadro, falta alguma coisa no modelo.

Mantenha também uma regra de nomes para os ficheiros: projeto, revisão e data no mesmo padrão sempre. Daqui a três meses, a pasta de compras tem meia dezena de listas e só o nome do ficheiro diz qual é a que acompanha o projeto emitido.

Passo 3: preparar a encomenda

O XLSX é o ponto de partida de compras, não o fim. É na folha de cálculo que quem trata da encomenda acrescenta o que o modelo não sabe: prazos, fornecedores, preços e alternativas homologadas.

  1. Agrupe por secção e tipo de cabo, porque é assim que se calcula a bobine e o que sobra.
  2. Acrescente colunas de fornecedor, referência, prazo e preço, mantendo intactas as colunas do modelo.
  3. Reserve as sobras de manobra e as reservas de ampliação previstas em projeto, sem inventar percentagens à cabeça.
  4. Compare proposta a proposta pela mesma lista, linha a linha, em vez de comparar apenas os totais.
  5. Assinale as linhas com decisão pendente: uma secção em revisão não deve ser comprada.

O que não deve acontecer é alguém reescrever a lista por fora e devolver uma versão paralela. Nesse momento o modelo e a encomenda deixam de ser a mesma coisa, e a diferença só aparece na obra.

Se a comparação for entre fornecedores com embalagens diferentes, volte sempre à mesma unidade — metro, bobine ou conjunto — antes de comparar totais. É o único momento em que a folha de cálculo pode enganar, e engana por aritmética, não por erro de projeto.

Conferir antes de enviar

A lista segue para compras quando:

  • As somas por secção batem certo com o caderno de cabos da mesma revisão.
  • Não há linhas duplicadas do mesmo circuito.
  • As unidades estão iguais em todas as colunas de comprimento.
  • A data e a revisão do nome coincidem com o projeto emitido.
  • As notas de montagem acompanham as linhas a que dizem respeito.

Exemplo

Uma instalação com quadro geral e três quadros secundários é exportada em XLSX: as linhas de cabos saem agrupadas por secção, com o comprimento total por circuito. Compras ordena a lista, acrescenta referência e prazo de cada fornecedor e devolve duas propostas comparáveis linha a linha.

Na revisão seguinte, a alteração de duas secções muda três linhas — e apenas essas três voltam a ser encomendadas, porque a lista nova saiu do modelo revisto. Sem reescrita manual, não há como comprar duas vezes a mesma coisa nem ficar a faltar um rolo de cabo.

Erros típicos

  • Comprar a partir de uma lista anterior à última revisão do projeto.
  • Esquecer os comprimentos e encomendar apenas por número de circuitos.
  • Alterar quantidades na folha de cálculo sem alterar no modelo.
  • Embaralhar secções parecidas: 2,5 mm² e 4 mm² ocupam a mesma linha de tabela e custam muito diferente na encomenda.

A lista de materiais é o último elo entre o projeto e a obra. Quando sai do modelo, com revisão e unidades definidas, compras trabalha sobre números em vez de estimativas — e o que chega ao quadro é o que estava desenhado.

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Perguntas frequentes

O XLSX substitui o caderno de cabos?

Não. O caderno de cabos é documentação do projeto; o XLSX é a mesma informação em folha de cálculo, pronta para agrupar, somar e comparar propostas. Ambos saem do mesmo modelo.

O que fazer quando o projeto muda depois da exportação?

Volte a exportar e substitua a lista. Uma lista editada à mão fica rapidamente em desacordo com o modelo e é a causa mais comum de encomendas erradas.

Que tabelas devo enviar a compras?

O caderno de cabos e a especificação, com as quantidades por secção. Se a lista inclui quadros e acessórios, envie também a respetiva parte da especificação.

É preciso algum programa para abrir o ficheiro?

Não. O XLSX abre em qualquer aplicação de folha de cálculo, e a exportação é feita no browser a partir do projeto, sem instalação adicional.

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