Porque é que a vista 3D muda a leitura do projeto
Em planta, o projeto elétrico é uma coleção de linhas: derivações, eletrofixos, quadros. A vista tridimensional acrescenta a pergunta que o desenho bidimensional não responde — a que altura fica, o que atravessa e o que está por trás.
É aí que aparecem os erros baratos de corrigir: uma caixa de junção inacessível no teto, um quadro tapado por um armário, duas derivações a dividir o mesmo eixo sem se sobreporem na planta. Ver o modelo em volume antes da obra transforma estas descobertas numa revisão de meia hora.
Para isso basta o modelo fechado — níveis definidos, elementos posicionados, identificação completa — e um browser. O GorkyCAD Pro abre o projeto online e permite percorrer a vista 3D sem instalar nada; o mesmo modelo pode depois ser exportado em GLTF para levar a discussão para fora do projeto.
Há ainda um efeito menos visível: a vista 3D torna discutível o que em planta se dá por adquirido. Quando o quadro, a coluna de distribuição e a derivação aparecem juntos no volume, a conversa com a direção técnica deixa de ser sobre linhas sobrepostas e passa a ser sobre espaço real, com medidas à frente dos dois lados.
O que procurar na vista 3D
A vista 3D não substitui o plano, serve para o interrogar. Em primeiro lugar, procure os problemas de acesso, que são os mais frequentes e os mais ignorados:
- Alturas e acessos: a porta do quadro abre sem obstáculos e o ponto de luz não cai em cima de um armário.
- Atravessamentos: onde a derivação cruza parede, tabique ou laje, e se existe caixa ou passagem prevista.
- Eixos partilhados: derivações de especialidades diferentes no mesmo corredor de instalações.
- Continuidade: circuitos que mudam de piso sem acompanhar a coluna de distribuição.
- Volume real: a distância entre o quadro e a parede, e o espaço que fica livre à frente para manutenção.
O hábito útil é percorrer o modelo por piso, sempre pelo mesmo caminho — entrada, circulação, serviços, última divisão — para que a revisão seja comparável de uma versão para a seguinte.
Vale também a pena olhar para o projeto de costas: a vista posterior mostra as derivações que seguem rentes à parede e as que se afastam sem motivo. Numa reabilitação, é frequente descobrir aí condutas que ficaram fora do espessura prevista e que obrigariam a reboco adicional na obra.
Passo 1: preparar o modelo para a vista 3D
Uma vista 3D só é honesta se o modelo estiver fechado. Reúna antes quatro verificações:
- Confirme que todos os elementos pertencem a um piso e que os pisos estão na ordem certa.
- Revise a posição dos quadros e das caixas em planta e em alçado: meia parede deslocada na planta é um quadro fora do sitio no volume.
- Elimine duplicados — dois eletrofixos no mesmo ponto aparecem como um em planta e como um defeito em 3D.
- Ligue as derivações ao quadro de origem, para que a vista acompanhe o circuito e não apenas a linha.
- Atualize o modelo antes de qualquer reunião: a vista 3D só é útil se for a revisão certa.
O que não deve aparecer
Elementos sem piso, quadros sem derivações, linhas suspensas sem apoio e pontos repetidos são os quatro sinais de que o modelo ainda não está pronto para ser mostrado a terceiros.
Passo 2: percorrer o modelo no browser
Abra o projeto e passe à vista tridimensional: a navegação faz-se com o rato, rodando à volta do modelo e aproximando por piso. Não há instalação nem ficheiro para copiar — o projeto está onde está a versão mais recente.
Percorra primeiro o percurso das pessoas — entrada, escada, corredor — e depois o das coisas: colunas, casas de distribuição, quadros, derivações. Depois olhe de cima e de lado. As vistas em corte revelam o que a planta esconde: uma derivação a subir dentro de um tabique, uma caixa sem altura para o quadro de ligação, uma passagem que passa rente a uma viga.
Anote as dúvidas à medida que as encontra, em vez de as resolver no fim. A lista escrita durante o percurso é o que alimenta a revisão e o que se compara na revisão seguinte.
Se trabalha com outras disciplinas, faça depois o mesmo percurso com os modelos carregados no mesmo ambiente. O elétrico visto sozinho resolve a parte própria; visto com a estrutura e a climatização resolve os conflitos de vão, que são os que custam obra.
Passo 3: exportar o modelo em GLTF
O GLTF é o formato de transporte 3D pensado para apresentação e para a web: guarda geometria, materiais e cores de forma leve, e abre em visualizadores de qualquer sistema. É o oposto do IFC — não serve para coordenar propriedades, serve para mostrar o projeto.
| Conteúdo | No GLTF | No projeto |
|---|---|---|
| Geometria e volumes | Sim | Sim |
| Materiais e cores | Sim | Sim |
| Designação de circuitos e secções | Não | Sim |
| Cálculos e verificações | Não | Sim |
| Documentação em PDF | Não | Sim |
Para exportar:
- Escolha o âmbito — um piso, o edifício ou apenas o núcleo que vai apresentar.
- Exporte o GLTF a partir do projeto aberto, no browser, sem instalação adicional.
- Abra o ficheiro no visualizador da equipa ou do cliente e confirme que nada ficou de fora antes de enviar.
- Guarde o ficheiro com o código do projeto e a revisão, como faz com o PDF.
Depois de exportar, abra o ficheiro na máquina de quem o vai receber. É a única forma de perceber se o modelo ficou leve a ponto de rodar bem e se as cores e os materiais traduzem o que se queria mostrar — um ficheiro que demora a abrir perde a vantagem de ser apresentação e não documento.
Usar o modelo na conversa com o cliente
Uma apresentação em 3D serve para alinhar expectativas, não para substituir o projeto. O momento útil é quando surge a pergunta «e aqui, como fica?»: rodar o modelo, mostrar o quadro na parede, mostrar a derivação a subir e devolver a decisão para a mesa.
Prepare três vistas antes da reunião: o geral do piso, o pormenor do quadro e o corte onde há mais decisões por tomar. Com isso a conversa deixa de ser abstrata e passa a discutir opções concretas, com o cliente a apontar no ecrã em vez de a imaginar em planta.
Exemplo
Numa reabilitação de um apartamento de três divisões, o cliente queria saber se o quadro ficaria visível na entrada. A vista 3D mostrou que, com a porta a abrir contra a parede, o quadro ficava tapado pelo armário do corredor.
Em vez de discutir em planta, mudou-se a posição do quadro para o interior da circulação e exportou-se o GLTF da nova revisão, que o cliente confirmou por mensagem. A decisão ficou tomada antes da demolição, e o modelo seguiu para a obra com a posição já alterada.
Erros frequentes
- Exportar uma revisão antiga e apresentar ao cliente um modelo que já foi alterado.
- Acreditar que o GLTF leva as propriedades: ele leva volumes e cores, não leva circuitos nem secções.
- Mostrar a vista 3D sem ter fechado o modelo — os duplicados aparecem ampliados.
- Usar o 3D como prova de obra feita: a geometria mostra o que se desenhou, não o que foi montado.
Vista 3D e GLTF são a parte mais rápida do fluxo: o mesmo modelo que gera os unifilares, os planos e os quadros devolve o projeto em volume e o leva para qualquer apresentação, sem exportações intermédias nem software do lado de quem recebe.
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Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre GLTF e IFC?
O GLTF é leve e serve para apresentar volumes, materiais e cores; o IFC carrega propriedades e identificação e serve para coordenar especialidades. O mesmo projeto pode exportar os dois, para destinatários diferentes.
É preciso instalar algum visor para abrir o GLTF?
Não. O ficheiro abre em visualizadores 3D comuns e em páginas web, sem software adicional. A exportação é feita no browser, a partir do projeto.
A vista 3D substitui os planos?
Não. Os planos continuam a ser a referência de execução; a vista 3D serve para perceber alturas, atravessamentos e acessos que a planta não mostra.
O que fazer se o cliente não tiver CAD?
Exporte o GLTF para a visualização e o PDF para a documentação. Ambos saem do mesmo projeto e dispensam software especializado do lado de quem recebe.